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Patos, PB, Brazil
Professor de Filosofia e Literatura na Rede Privada de Ensino desde 2003 (Colégio Compacto); professor de Língua Inglesa no Município de São Mamede (CENEC); Militante Sindicalista ligado ao SINFEMP (Patos e São Mamede); Diretor Estadual de Imprensa e Divulgação da CTB/PB

domingo, 27 de janeiro de 2013

INCÊNDIO EM BOATE



INCÊNDIO PROVA DEZENAS DE MORTES E INÚMEROS FERIDOS


O número de mortos no incêndio que atingiu a boate Kiss em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, já chega a 180, segundo o major Cleberson Bastianello, comandante do BOE da Brigada Militar. O número total de vítimas ainda é desconhecido e há centenas de feridos sendo atendidos nos hospitais da cidade. A polícia e o Corpo de Bombeiros ainda trabalham no local, checando as circunstâncias do fogo e retirando corpos da área.
"Nós temos 180 corpos aqui. Pessoas foram levadas em óbito ou feridas para os hospitais da região. Mas repito: esse é o número de mortes que temos aqui. Infelizmente poderá aumentar", disse em entrevista coletiva o major Bastianello.
O número de pessoas que estavam na boate ainda não foi confirmado pelos autoridades. A festa reunia estudantes da Universidade Federal de Santa Maria, dos cursos de pedagogia, agronomia, medicina veterinária, zootecnia e dois cursos técnicos.
Todos os hospitais da região estão recebendo as vítimas. São ao menos seis casas de saúde. Voluntários estão auxiliando os trabalhos na cidade. "Estamos mobilizando todo o estado, temos hospitais de diversas regiões se disponibilizando para ajudar. De Canoas, Santo Ângelo, Santa Cruz, enfim. Todos estão colaborando para oferecer o melhor atendimento possível. Os trabalhos são intensos e é preciso uma mobilização muito grande", ressaltou o Secretário Estadual da Saúde, Ciro Simoni, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Veja foto da boate antes do incêndio:



FONTE: www.g1.com.br/rs

ADMOESTAÇÕES DE SÃO FRANCISCO XVIII

DA COMPAIXÃO PARA COM O PRÓXIMO

1Bem-aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação.

sábado, 26 de janeiro de 2013

CUBA É UM EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE

Socorro Gomes:

Cuba é um exemplo de solidariedade para o mundo

Socorro participará da 3ª Conferência Internacional sobre o Equilíbrio do Mundo, que será realizada em Cuba, de 28 a 30 de janeiro. O evento homenageará os 160 anos do nascimento de José Martí, que na definição da pacifista é um herói não só para os cubanos, mas para toda a região por ser um prócer da integração latino-americana. 
“A questão do respeito, da dignidade do homem e da soberania dos povos foi sempre uma grande marca no pensamento de José Martí”, disse. De acordo com ela o fórum será uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre o herói da independência cubana e debater os problemas dos povos do mundo. “Para nós, é um momento ímpar ter este contato com a história deste pensador e, ao mesmo tempo, estar em Cuba, que é um exemplo de solidariedade para o mundo".
A presidenta do CMP destacou apesar da ilha sofrer há mais de 50 anos com o bloqueio estadunidense, conseguiu vencer grandes desigualdades, o que qualificou de uma inspiração para as outras nações. Ela também ressaltou que Cuba assumirá, na próxima segunda-feira (28), a presidência da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), da qual os Estados Unidos não fazem parte. "Isso é uma vitória do pensamento martiano a integração sob novos paradigmas, sem a presença das potências imperialistas".
Ela também denunciou a política colonialista dos Estados Unidos que, apesar da promessa feita pelo presidente reeleito Barack Obama de fechar a prisão em Guantânamo, pretende mantê-la aberta e também condenou o processo judicial e as sanções impostas para os cinco antiterroristas cubanos.

Cerca de 600 delegados de 43 países estarão presentes no evento. Em coletiva de imprensa, o vice-presidente do Comitê Organizador, Héctor Hernández Pardo, considerou que a ampla participação é uma maneira de reivindicar o valor das ideias e o pensamento no mundo marcado pela crise econômica. 

FONTE: www.vermelho.org.br

ADMOESTAÇÕES DE SÃO FRANCISCO XVII

DO SERVIÇO A DEUS HUMILDE


1"Bem-aventurado o servo" (Mt 24,46) que não se envaidece com o bem que o Senhor diz e opera por meio dele mais do que com o que o Senhor diz e opera por meio de outrem. 2Peca o homem que exige do seu semelhante mais do que ele mesmo daria de si ao Senhor seu Deus.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A LINGUAGEM CLARICEANA

A MANEIRA DE ESCREVER DE CLARICE LISPECTOR

O processo metalinguístico é a tônica de sua escritura, permeada de questionamentos sobre o ato de escrever. Escreve uma “dura escritura”, como afirma nas páginas de Água Viva, em que formula claramente essa poética do instante:

Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais porque agora se tornou um novo instante-já que também não é mais. Cada coisa tem o instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa (LISPECTOR, 1994a, p. 13). 

Em uma de suas obras (Paixão segundo G. H.), Lispector usa a linguagem como meio para fugir do que a incomodava, pois é dela que o homem dispõe para sair do eu subjetivo e se elevar ao mundo do outro. É por ela que se assume a dimensão humana, mas também é por meio dele que se mantém afastado do eu verdadeiro, de sua essência. O verdadeiro ser é revelado pela aceitação de seu reverso, o não-ser, e não pela linguagem. 
Ao tentar narrar e transferir sua experiência ao leitor, ela desiste de usar a linguagem, perde sua dimensão humana, identificando-se com todos os seres: apenas um G. e um H. (SÁ, 2000, p. 260). Reconhece que o que experimentou é inenarrável, mas para chegar ao indizível precisou da linguagem, precisou dessa “máscara humana”, precisou realizar “um grande esforço de voz”. A epifania atinge, assim, o seu clímax – de mãos vazias com o que experienciou, G. H. caminha para o silêncio, o não-dito, o indizível da linguagem. Ela quer alguém que lhe segure a mão. A experiência da ruptura pela qual passou e que põe em choque a sua própria identidade, não lhe permitindo ter segurança como sujeito do narrar.
Segundo Sá, a narrativa é uma “metáfora epistemológica” do texto do existir, se usarmos a terminologia de Eco. A narrativa simboliza, no plano da episteme, do conhecimento, “o risco glorioso de uma apaixonada pesquisa existencial no plano da comunicação. O ‘eu’ que precisa do outro; o escritor que não existe sem o público, sem o leitor”.  (SÁ, 2000, p. 205)
Clarice Lispector estabelece uma relação preexistente à sua obra. O surgimento desse arrolamento vai desembocar numa outra interação, que só se torna possível enquanto ampliação da primeira – o envolvimento entre leitor e obra.
Participantes de um mesmo ritual – a criação de uma arte – , esses quatro elementos – autor, leitor, obra e linguagem – trazem todo um poder de reflexão, que somente se realiza diante de um “dizer”. E então, em meio às relações que venham a se estabelecer, um instrumento maior e primeiro precisa aflorar: uma linguagem. 
Em Clarice Lispector, essa consciência de busca, de encontro de uma linguagem, de um modo verdadeiro de escrever, reflete também o outro lado dessa consciência: uma crítica ao que vai escrevendo, num eterno descontentamento de não encontrar as palavras exatas para exprimir seu pensamento, na impotência da palavra e, ao mesmo tempo, na impossibilidade do silêncio. Mas norteia também para a revelação de certo receio com relação ao imprevisível, ao ainda “não-revelado”, que poderá se visualizar:

é o que acontece gradativamente e de uma forma mais intensa que em outras de suas obras, em A hora da estrela: (Escrevo sobre o mínimo parco enfeitando-o com púrpura, jóias e esplendor. É assim que se escreve? Não, não é acumulando e sim desnudando. Mas tenho medo da nudez, pois ela é palavra final). (LISPECTOR, 1998, p. 82)

Uma linguagem que não aceita “correções”, nem “retrocessos”, pois é toda ela tecida no impulso ímpar dos instantes vividos na experiência, e, esses instantes, passados os seus momentos, não admitem retorno: é o autor escrevendo a sua obra à medida que se lê e lê a sua realidade cotidiana:

Eu ainda poderia voltar atrás em retorno aos minutos passados e recomeçar com alegria no ponto em que Macabéa estava de pé na calçada – mas não depende de mim dizer que o homem alourado e estrangeiro a olhasse. É que fui longe demais e já não posso mais retroceder. (...) (LISPECTOR, 1998, p. 80)

Essa é a reflexão do ato de escrever. E, mais ainda, se o ato de escrever se mostra envolvido em outros aspectos inerentes à criação de um romance, por exemplo, podemos encontrar de modo mais direto fora da obra ficcional da autora.  Ao nos dar as indicações do que considera “romance”, o “seu” romance, Clarice Lispector nos deixa bem marcadas as referências que faz ao senso de descoberta, de pesquisa, de uma escritura somente acontecendo no momento em que ela passa a realmente ter um destino:

Bem sei o que é chamado verdadeiro romance.  No entanto, ao lê-lo, com suas tramas de fatos e descrições, sinto-me apenas aborrecida.  E quando escrevo não é o clássico romance.  No entanto, é romance mesmo. Só que o que me guia ao escrevê-lo é sempre um senso de pesquisa e de descoberta.  Não, não de sintaxe pela sintaxe em si, mas de sintaxe o mais possível se aproximando e me aproximando do que estou pensando na hora de escrever.  Aliás, pensando melhor, nunca escolhi linguagem.  O que eu fiz, apenas, foi ir me obedecendo. (...) Vou me seguindo, mesmo sem saber ao que me levará. (...) Embora representando grande risco, só é bom escrever quando ainda não se sabe o que acontecerá. (LISPECTOR, 1975, p. 103-105)

O ato de escrever, o escrever enquanto descoberta. A linguagem, portanto, passa a ser o elemento criador mais forte, mais presente que o escritor, pois este é o produto final, a “obra-prima” de uma linguagem, de uma linguagem criando o escritor.
Ao analisar o romance de estreia da autora (Perto do coração selvagem), vemos com olhos lúcidos a marca principal da obra clariceana: a aventura da linguagem, traduzida em um ritmo de procura, de penetração, que permite uma tensão psicológica poucas vezes alcançada em nossa literatura contemporânea. 
Podemos afirmar que Clarice Lispector procura estender o domínio da palavra sobre regiões mais complexas e mais indizíveis, ou fazer da ficção uma forma de conhecimento do mundo e das ideias.  No dizer de Antonio Cândido, o romance Perto do coração selvagem é uma tentativa de levar a nossa língua canhestra a domínios poucos explorados, forçando-a a adaptar-se a um pensamento cheio de mistério, para o qual sentimos que a ficção é um instrumento real do espírito, capaz de nos fazer penetrar em alguns dos labirintos mais retorcidos da mente.
Lispector, já no seu primeiro romance, colocou seriamente o problema do estilo e da expressão. Sentiu que existe certa densidade afetiva e intelectual que não é possível exprimir se não procurarmos romper os quadros de rotina e criar imagens novas, associações diferentes das comuns e mais profundamente sentidas. As palavras, em Lispector, perdem o seu sentido corrente para se amoldarem a uma expressão sutil e tensa, de tal modo que a língua adquire uma força dramática, um mundo de emoções se descortina, tendo na palavra o seu alvo de interpretação.


Professor José Fábio Marques de Santana
´Professor de Filosofia e Literatura no Colégio Compacto de Piancó
Professor de Língua Inglesa  na SMEC/São Mamede - PB

ADMOESTAÇÕES DE SÃO FRANCISCO XVI

DA PUREZA DE CORAÇÃO

1"Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus" (Mt 5,8).
2Têm o coração puro os que, desprezando as coisas terrenas, procuram as celestiais e, de coração e espírito puros, não cessam de adorar e de ver sempre o Deus vivo e verdadeiro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

EROTISMO E EPIFANIA NA LITERATURA

EROTISMO E EPIFANIA, NUMA VISÃO LITERÁRIA E FILOSÓFICA

Erotismo

Etimologicamente erótico provém erótikos (relativo ao amor) e deriva de Eros, o deus do amor dos gregos – Cupido entre os romanos. Mais tarde a psicanálise faz uma mudança no termo e o coloca como um símbolo do desejo, cuja força está na libido. Ele torna-se então o oposto de Tanatos que é o princípio da destruição.
Se pensamos em moldes de dicionário teremos então a conjunção entre erot(o) + ismo que logo significará uma paixão amorosa, amor lúbrico.
Os sentidos, porém, da palavra erótico, não terão seu fim em finitas conclusões de dicionários. Rodeia-se ao contrário, de muitos significados. Significados que, postos em conjunto, são perfeitamente compreendidos e por isso se completam.
Eros é o princípio da ação, da vida. Ele não é o princípio do prazer, mas na verdade ele é o limite do prazer. O princípio do prazer é semelhante ao princípio da realidade, logo o Eros é o limite dessa mesma realidade. Assim, quando juntamos prazer e realidade, encontramos o Eros, pois chegamos ao limite do que da vida esperamos.
Os sujeitos da realidade se inter-relacionam com o prazer e desse mesmo prazer encontram os seus lugares. Esses lugares são marcados pela falta, pela necessidade, pelo desejo, pela busca, barrando assim no limite daquilo que queremos ver e viver, nos papéis de vida, no espetáculo do desejo, no espetáculo erótico.
Na literatura, esse espetáculo de vida, é a montagem textual, nas mais diversas maneiras das relações. O Eros literário é o desejo de encontrar o prazer, de saborear a realidade.
O erotismo literário leva-nos ao prazer de saber, de compreender, de buscar o próprio saber, de saber do prazer. Como paixão, a literatura erótica é expressão da paixão do amor erótico, do amor que é liberação da alma. Pelo Eros da leitura se confere um equilíbrio distinto entre “calor” e “paixão”.
No período clássico, Sócrates e Platão conciliaram aquela tradição religiosa de uma época recuada com as exigências da racionalidade. Um dos diálogos platônicos, neste trabalho já citado, O Fedro, exalta os efeitos benéficos de quatro espécies de loucura consideradas dons divinos: a dos profetas e adivinhos; o entusiasmo, inspirado pelas musas aos poetas; a possessão ritual dionisíaca; e o transporte amoroso, obra de Eros, do qual se ocupou especialmente O banquete, livro neste trabalho também já citado.
Eros trabalha em conjunto com Afrodite; impulsivo, é tanto a fecundidade do corpo quanto a fecundidade do espírito; atraído pela beleza, intensifica-se, expande-se para além do objeto amado, numa ascensão aos mais altos conhecimentos e assegurando a imortalidade. Não há filosofia sem Eros; sem Eros a razão permanece inerte. O amor erótico incorporou ao pensamento os aspectos irracionais da conduta humana, aliviando a carga passiva e perturbadora dos estados afetivos.
Assim, a literatura é e será sempre necessitada de erotismo, uma vez que dela se bebe e se sacia. A literatura é o não-individual colocado e ao mesmo tempo não-plural que se expande no universo do autor assim como também o faz no universo do leitor. O amor erótico apaga as diferenças, ultrapassa as barreiras da individualidade.

Epifania
O conceito de epifania nasce ainda com a idéia religiosa da criada quando da visita dos Reis Magos ao menino Jesus em Belém. No dia 6 de janeiro celebra-se a festa da Epifania ou da Teofania. Originalmente, era a única festa cristã da manifestação de Deus ao mundo na pessoa de Jesus de Nazaré. Incluía a celebração do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a adoração dos Reis Magos e todos os acontecimentos da infância de Jesus como a Circuncisão, a Apresentação no Templo, assim como o seu Batismo por São João no Rio Jordão. É quase certo que esta festa, como a Páscoa da Ressurreição e Pentecostes se entendia como o cumprimento de uma festa judaica, neste caso, a Festa das Luzes.
A palavra Epifanía significa manifestação. Freqüentemente se refere a esta festa como a Teofanía, tal como se diz nos livros litúrgicos da Igreja Ortodoxa, palavra que significa Manifestação de Deus. A ênfase que se dá a esta festa hoje em dia está na vinda de Jesus como o Messias de Israel e o Filho de Deus, Um da Santíssima Trindade, junto com o Pai e o Espírito Santo.
Assim, em seu batismo por João no Jordão, Jesus se identifica diante dos pecadores como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), o “Bem-Amado” do Pai, cuja tarefa messiânica é a de redimir os seres humanos de seus pecados. (Lc 3, 21; Mc 1, 35) É revelado como um da Santíssima Trindade de quem dá testemunho a voz do Pai e o Espírito Santo em forma de pomba. Os hinos da festa glorificam esta Epifania transcendental, isto é, manifestação.
De acordo com Sá (2000, p. 168) epifania constitui, portanto, uma realidade complexa, perceptível aos sentidos, sobretudo aos olhos (visões), ouvidos (vozes) e até ao tato (Gn 32,24; Jo 20,22). O Antigo Testamento destaca o ouvir, o Novo Testamento, o ver, como nas provas da Ressurreição de Cristo
Sobre epifania Massaud Moisés (apud SÁ,2000, p. 165):

refere-se ao “instante existencial”, em que as personagens clariceanas jogam seus destinos, evidenciando-se “por uma súbita revelação interior que dura um segundo fugaz côo a iluminação instantânea de um farol nas trevas e que, por isso mesmo, recusa ser apreendida pela palavra”.

Nádia B. Gotlib (apud SÁ, 2000, p. 167) diz que “para James Joyce, a epifania é uma espécie ou grau de apreensão do objeto que poderia ser identificada com o objetivo do conto, enquanto uma forma de representação da realidade”.
Ainda nas palavras dessa autora, “em todos os contos cujo núcleo é justamente esta percepção reveladora de uma dada realidade, a teoria torna-se fundamental para a sua leitura. É o caso dos contos de Clarice Lispector, por exemplo” (GOTLIB, apud SÁ, 2000, p. 168)
Em algum momento de nossas vidas, deparamos-nos com algum fator, mesmo que este seja externo, que nos faz ver coisas jamais vistas antes. A partir daí, é impossível retrocedermos. O caminho está percorrido e nada mais ficou como antes. Tudo em nossa volta muda, desde os nossos pensamentos até as nossas atitudes e visões. Essas atitudes nos fazem diferentes, somos outra pessoa. É assim que Olga de Sá aborda em seu livro, A escritura de Clarice Lispector, a epifania – um fator externo que nos transforma internamente.
A epifania pode ser comparada ao estágio da maternidade. A partir do momento em que uma mulher se torna mãe, tudo muda, nada pode voltar a ser como antes. O caminho até aqui traçado era um, a partir de agora uma nova visão do mundo será experimentada. Segundo Sá,
Depois tudo se dissolve sob nossos passos. Aquele momento, porém, adquiriu um valor, uma realidade, e a experiência torna-se fim de si mesma. É um momento de êxtase, que gostaríamos de prender entre os dedos. Vistos sob uma luz instantânea e nova, podemos tentar fixar tintas e cores estranhas, odores delicados ou as feições de um ser amado. (SÁ, 2000, p. 170)

De acordo com Sá (2000), as acepções religiosa e mística do termo epifania são importantes, porque têm reflexos no sentido literário, concretamente, no uso que desses processos fez Clarice Lispector. 
Em 1970, Massaud Moisés, sem usar o termo epifania, ligando-se, contudo, aos pareceres críticos de Benedito Nunes (1969) e Luís Costa Lima (1966), refere-se ao “instante existencial”, em que as personagens clariceanas jogam seus destinos, evidenciando-se por uma súbita revelação interior que dura um segundo fugaz, como a iluminação instantânea de um farol nas trevas e que, por isso mesmo, recusa ser apreendida pela palavra. 
Esse “momento privilegiado” não precisa ser “excepcional” ou “chocante”: basta que seja “revelador, definitivo, determinante”.  Atinge, assim, a escritora o cerne de todo ficcionista: o momento da lucidez plena, em que o ser descortina a realidade íntima das coisas e de si próprio.
As personagens clariceanas estão mergulhadas no mundo cotidiano e, a partir da percepção, são levadas a uma realidade outra.   Tal momento é conceituado por alguns críticos como “Momento epifânico” da personagem.
A narrativa, segundo Romano de Sant’Anna, seria essa constante alusão, esse reflexo de uma verdade impossível de ser configurada, não obstante insistentemente projetada aos olhos ávidos de uma visão epifânica. A epifania mostra-se, então, como o momento de exceção através do qual o indivíduo tem uma noção do que poderia ver e ter, semelhante à posição do próprio narrador diante da coisa que narra, ou do narrador diante da linguagem.
O termo, epifania, aplicado à literatura, significa o relato de uma experiência que, a princípio, mostra-se simples e rotineira, mas acaba por apontar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante, quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos indivíduos, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem. 
Em literatura, epifania pode ser não apenas o relato de uma experiência, mas uma obra ou parte de uma obra em que se narra o episódio da revelação, em que a consciência se abre para o mundo em momentos luminosos.


Professor José Fábio Marques de Santana
´Professor de Filosofia e Literatura no Colégio Compacto de Piancó
Professor de Língua Inglesa  na SMEC/São Mamede - PB